Amigos e/ou Leitores

sábado, 20 de abril de 2013

VIGIAR E PUNIR

(Para a menina Jaqueline Ferreira,  que nos lembra Foucault)

Encarceram o corpo
aprisionam a alma
acorrentam os desejos
amarram o peito e os passos
e dilaceram
prendem os olhos
encerram as genitálias
isolam os sonhos
capturam os movimentos
e dilaceram
agarram os suspiros
apresam o ser
enquadram o vir-a-ser
cativam a vida
e dilaceram.


Rio, 20 de abril de 2013
01h e 47 min



sábado, 30 de março de 2013

DIA DE ÍNDIO NÓS

Todo dia
era dia
de índio livre
agora
é dia
de índio preso
todo dia
era dia
de índio eles
agora
é dia
de índio nós.

RIO, 30 DE MARÇO DE 2013

sábado, 23 de março de 2013

ALDEIAS MARACANÃS E TACAPE

Segue o poema ALDEIAS MARACANÃS do autor deste blog  e  letra da canção, TACAPE, de Zeca Baleiro, que trata do tema da desigualdade e do domínio social. A canção está no ótimo CD  chamado O Coração do Homem Bomba volume 2. Quem quiser ouvir a música bastar clicar no link que está no final desta postagem. 




ALDEIAS MARACANÃS

Assim nossa democracia se revela:
velado domínio empresarial
demagogia e força policial
contra o povo quando se rebela.

E o jogo não é a brinca, é a vera
granadas e tiros versus berimbau
tacapes e pedaços de pau
mas que outra coisa se espera?

São bilhões de moedas em construções
E brindes de governos empresariais
Que ao povo tranca os portões

Índios e pobres são para eles bossais
Entulhos para depositar em lixões
De nossos campos e capitais.

JORGE WILLIAN

Rio, 23 de Março de 2013


****************************************************

TACAPE
(Zeca Baleiro)

você tem quase tudo
quase tudo que lhe basta
e eu carrego em meu nome
a fome que me devasta

você tem quase tudo
quase tudo que o sacia
e sua fala feito bala
não me cala silencia

você tem o veneno na ponta da língua
ódio cego cresce em sua alma feito íngua

se o mundo não for seu
não será mais de ninguém
se o mal é meu
é seu também
se o mundo já foi de deus
hoje deve ser de alguém
se pertence aos seus
aos meus também

você tem tudo
quase tudo em sua mão
voz e vez e mais o escudo da razão
mas você não sabe fazer canção


Link: http://www.vagalume.com.br/zeca-baleiro/tacape.html#ixzz2ONfCiLyi




segunda-feira, 18 de março de 2013

SIM, SEMPRE HOUVE UMA IMPRENSA GOLPISTA


JOÃO UBALDO recentemente escreveu um texto para o jornal do qual participa, O Globo, dizendo que a imprensa não é golpista. E teve a coragem também de tentar nos enganar dizendo que a elite dominante não quer derrubar governos. Confundindo o leitor com a mágica argumentativa que a elite política não daria golpe em si mesma. Mas quem disse que a elite em questão é só a política? O texto é bom apenas para percebermos o quanto faz a imprensa golpista, isto é, boa parte da imprensa empresarial, para se esconder do seu passado e suas ações recentes. E Ubaldo, que recebe salários há muito tempo do jornal O Globo, chega a ser ridículo tentando negar o que já se tornou óbvio, ridículo tentando confundir a população que começa a saber dos fatos. E não afirmo, antes que alguém diga que estou apenas contrapondo ao seu pensamento apenas mais um outro qualquer (tempos de versões pós-modernos) apenas por se de esquerda, mas porque UBALDO tenta negar o que já está para lá de provado. Eu disse PROVADO. Muitos já devem ter ouvido falar de livros e vídeos documentários que comprovam a participação da mídia em golpes na América Latina, inclusive no Brasil. Cito e sugiro, pois estamos lendo os jornais e seus colunistas pagos, o livro "1964, A Conquista do Estado" do brasilianista René Dreifuss. Este livro contem mais de 200 páginas de documentos além de 500 de textos. Os documentos comprovam a participação. Antes de contestar seria bom ler o livro que é encontrado em qualquer sebo e foi produzido para uma tese nos EUA sobre o Brasil. Muitos documentos, inclusive, estão em inglês , pois foram produzidos no país que apoia golpes preventivos em defesa do sistema capitalista, os EUA. A atitude do escritor tentando defender o meio de comunicação (formatação) do qual participa demonstra a preocupação da velha imprensa com o que está acontecendo através das redes sociais: as informações sobre os donos do poder  estão chegando onde eles não queriam, na maioria da sociedade.

domingo, 10 de março de 2013

E ELA RIU


Ela riu.
E riu porque nada conhecia
riu durante o dia cheio
e pela efêmera noite vazia.
Ela riu
sem saber que o riso cria
tristezas além do gozo
sofreguidão além da calmaria..
Ela riu.
E riu porque  desconhecia
a vida e seu lado morte
a fonte de dor e de folia.
Ela riu
e o riso é sem garantia
de paraíso eterno
ou de fugaz alegria.
Ela riu
e no riso esquecia
os caminhos das coisas
e das coisas que fazia.
Ela riu
e eu por garantia
interroguei-me sobre o som
do riso que ouvia.

Jorge Willian
Rio, 10 de Março de 2013 (1h e 57 m)

sábado, 2 de março de 2013

VIDA SEVERINA

É madrugada e chove. A chuva é fina e suave. Certamente apenas chuvisco. O calor intenso que fazia deu lugar a uma temperatura amena. Tudo, pois, parece tranquilo e suavemente apaziguado. Parece, mas não é. Posso afirmar que neste exato momento algum delinquente deve estar jogando fogo em algum índio que ainda sobrevive em suas antigas terras. Ainda posso afirmar que está ocorrendo algum assassinato político neste exato momento no país. Que algum proprietário contratou algum assassino de aluguel par preservar algumas de suas propriedades ou tomar as terras alguém. Além, é claro, do assassinato não-politizado, coisas  das paixões ou coisas de marginais. E posso , sem ter visto, afirmar que deve ter algum playboy espancando mendigos e provavelmente os matando. Sei também que alguns desaparecerão esta noite e que seus corpos serão incinerados. E que  uma turba sairá pelas ruas e, tendo oportunidade, lincharão um ladrão de galinha qualquer. É madrugada. A chuva é fina. É suave. É lenta. E a  vida é severina. Terras brasileiras. Aniversário do Rio.
Rio 02 de março de 2013  (2 horas e 58 minutos)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

AO SORRISO DE ALESSANDRA

Este poema de sorrisos pelo mundo
Este que sai do lindo rosto de mulher-menina
Este que grita sua presença
Que esperneia seu incômodo
Este que incomoda qualquer quietude
Este poema que é o sorriso de musa
Quer um poema, uma poesia, um dizer
Mas não há como, nem poeta para
Impossível aos versos que tentam espelhar
Tentam  e nunca conseguirão
Espelhar a explosão que sai deste sorriso-poema
Que intimida, sabendo ou não, e incentiva os nossos.

Rio, 19 de fevereiro de 2013 ( 0 h e 56 m)


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

TRÊS MINUTOS

Três minutos é o que nos restava
Cento e oitenta segundos, só isso
Quem sabe um pouco mais.
Três minutos entre gritos e chamas
Entre passos corridos e fumaças
Cento e oitenta segundos, ou mais
Entre vidas, quedas, angústias
Lágrimas, ardências, pigarros
Entre mortes, medos, choros
Risos nervosos, choros em vãos
Duzentos e trinta  e um corpos, ou mais
Corpos jovens
Três minutos e muitas vidas minguadas.

Jorge Willian
Rio, 28 de Janeiro de 2013

Em Nossos Peitos

E deixemos o céu por ser escuro, naufraguemos em nossos peitos, até que a luz se faça! Deixemos a terra por ser árida, cavemos nossos peitos até que as tesouros sejam encontrados. Sufoquemos as utopias, são estrelas que já morreram, nos tiram o ar, e vamos seguir em frente no caminho aberto em nossos peitos onde ainda bate a manga vermelha. Céus, terra, utopias são esses os nós suspeitos que não encontraremos mais.

 (Rio, 18/12/2012 01h e 03min)

DESEJO PEGANDO FOGO (POEMA E CANÇÃO)

Sim, eu deixo de amar. Mas sei não fujo.
Ficheiro:Dionysos Louvre Ma87.jpg
Dionísio
Há aqueles que desistem do amor
Que querem a mansidão
A pacificação
O nada.
Eu quero
Ah, mais eu quero
E como eu quero muito
O fogo me queimando em chamas.

Sim, talvez com certeza eu não deixe de amar
Quero a fervura no sangue ardendo
Dionísio tragando-me
Pular sem medo
O abismo
Mas há, porém,
Os que querem solos
Concretudes sólidas e imóveis
Gélidos lampejos de sorrisos e festas
E fogem do amor, de Dionísio, do fogo, de mim

Sim, com certeza o amor talvez me deixe pela vida um dia
Mas há os que tem medo e desejam pouco
Apenas momentos felizes esperam
Desejam pouco e vida longa
Tragam apenas oxigênio
Vida pouca
Louca Vida
Ainda a desejo assim
Tragando-me os momentos
Cunhando moedas com meu corpo
Trocando-as por paixões que me tornam
Entornando-me no abismo onde o fogo de Dionísio arde ainda

Jorge Willian
Rio, 28 de Janeiro de 2013, 4h e 10 min.


"Um grande amor não se acaba assim/ Feito espumas ao vento/ Não é coisa de momento, raiva passageira/ Mania que dá e passa feito brincadeira /O amor deixa marcas que não dá pra apagar (...) cabeça doida coração na mão/ desejo pegando fogo/ sem saber direito a onde ir e o que fazer/ (...) o meu olhar vai dar uma festa ..." Composição de Accioly Neto e Voz de Elza Soares



















 Dioniso ou Dionísio era o deus grego equivalente ao deus romano Baco, dos ciclos vitais, das festas, do vinho, da insânia, mas, sobretudo, da intoxicação que funde o bebedor com a deidade. http://pt.wikipedia.org/wiki/Dioniso#Mito.2C_segundo_os_textos_cl.C3.A1ssicos)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

SILÊNCIO

Lá fora o silêncio absolutista a tudo calou. Respiro lentamente para abafar o som que meu diafragma produz, e mesmo assim não ouço nada vindo lá de fora. Deve ser assim a morte: um silêncio tão absoluto, o som da inércia da velocidade zero.

Nem um som se faz, nem mesmo dos pássaros, ou das lâmpadas nos postes. Nem mariposas em busca de luz, nem pirilampos produzindo as suas. O silêncio calou as luzes. E calou os movimentos de quem as busca.

Acho que só existe mesmo o som daqui de dentro. Este som que sinto internado em meu ser. Este som suave de dar medo. Que parece nunca findar, mas que não sai de dentro, mesmo que eu abra boca ele se mantém aqui. Ou melhor, lá dentro de mim. Bem lá dentro. Sei que ele existe porque o sinto, pois, para ser sincero, não o escuto. Mas ele existe sim. Não só o som do diafragma, mas do sangue lento nas veias, do coração distante e do pensar calmo do cérebro. Sinto de tal forma que não há como não existir o som.

Mas é um som contínuo, também inerte, de um movimento maior que zero. Porém muito lento. E quase não produz luz também, é de uma penumbra irritante, pelo menos no início quando a percebi, mas  quando me acostumei com ela  forcei menos a miopia que sempre me acompanhou. Por falar nisso, não deixaram meus óculos perto do meu corpo, só estas flores que me causavam alergia.

Jorge Willian
Rio, 23/01/3013

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O SENTIDO DA COISA

Agora, neste exato momento
O que podemos nós?
O que faremos?
Tá pensando?
E pensar ajuda?
Sorrisos não resolvem isso,
Isso da vida ser coisa
E o que é uma coisa?
Algo que se toca?
Algo que se vê?
Ou algo que se sente?
Eu toco a vida?
Eu a vejo?
Eu a sinto...
Se sinto o que não vejo e não toco
O que é isto que chamam de vida?!
A coisa sentida?
Ou o sentido da coisa?
Deixa assim... esqueçamos o nome.

Rio 15 de janeiro de 2013 (23h e 32m)
Leo Bruno Lino e Jorge Willian

domingo, 23 de dezembro de 2012

AQUI DENTRO NÃO SEI



Sei lá!
Sei lá, não sei, não!
Não, não sei!
Sei nada do que está acontecendo
O que está acontecendo mesmo?
O que é este sentimento?
Vai, ajuda-me ...
Mas não leve a sério tudo o que falo
Saio falando tudo
E os dedos saem digitando
Mas eles não sabem o que sinto
Nem eu sei. Como eles saberiam?
Amor?! Sei, não!
Dor?! Sei, sim.
Sei lá!
Seria mais fácil se fosse parede
Ou número ou flor ou bicho
Tudo aí fora.
Mas aqui dentro... sei não!

Rio, 23 de dezembro de 2012 (21 h e 02 min)


 (Leo Bruno Lino e Jorge Willian)



quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

AH, O AMOR!

PARA A AMIGA DIVINA DE JESUS SCARPIN

Ah , o amor, aquilo que nos desequilibra e nos faz mas vivo!
Há quem ame seres vivos, concretos, reais.
Mas há quem ame seres simbólicos,seres abstratos,
seres que são por que não-são.
E eu tentando amar a todos, a quase todos.
Aos que amam seres concretos e seres abstratos.
Seres divinos e o ser de Divina.
Eu que amo os homens que constroem concretos, muros, paredes.
Que amo outros homens que constroem sonhos, mundo hoje não real,
simbólico, futuro, utópico.
Amo, mesmo combatendo contundentemente, alguns outros homens
que combatem a possibilidade dos sonhos,
dos delírios,
dos desejos utópicos hoje.
Reais nem sei quando.
E odeio, ah odeio! sim, odeio!
Odeio a possibilidade de que em nome dos símbolos das verdades
se destruam os amores,
amores dos que amam a concretude
e amores dos que amam os símbolos.

Jorge Willian
Rio, 12 de dezembro de 2012

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Estupros e Linchamentos

E assim foi-se o dia
A noite rasgou-lhe o tecido
E penetrou-lhe
Sem licença
Sem desculpas
Sem palavras.
Apenas rasgou e jogou fora
Os trapos do dia.
Garbosa e valente
A noite vagueia pela vida agora
Sem saber ou perceber
Que se  prepara o dia
Para romper-lhe a genitália
Rasgar-lhe as entranhas
Penetrá-la sem desculpas
Sem licença
Sem palavras.

São assim os dia e noites
Quando a poesia perde a doçura
Quando as imagens e ações
De homens concretos
São linchamentos
De outro homem.

Jorge Willian
Rio, 10/12/12

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

FAGOCITOSE 

(Jaqueline Ferreira/ Edmilson Borret/Jorge Willian/)

Meus neurônios fagocitaram-se

Meus neurônios fogo citaram-se
Meus neurôrios fagocitaram
tudo que olhos viam
tudo que a pele sentia
tudo que olhos viam
tudo que na língua derretia
todo o incolor que a narina recolhia


Meus neurônios só não fagocitaram 

Banco de Imagem - neurônios, célula. 
fotosearch - busca 
de fotos, imagens 
e clipartos turbilhões de ideias
que aparentemente consumiam

                 




domingo, 11 de novembro de 2012

FUNDAMENTO

Só poesia?! reclama a leitora.
desejo de ler filosofia, sociologia, arqueologia
e logias outras que nos falam do homem.
Só poesia, sim! insisto eu
desejo de versar sobre o homem e sua grande criação:
as palavras,
estas que permitem a filosofia
a sociologia, pneumatologia, zoologia, urologia, cristologia
qualquer outra logia qualquer,
elas, as palavras, que nos permitem sermos homens.

Jorge Willian

Rio,11 de novembro de 2012 (13h e 17 m.)

Segue o vídeo da Cantora Vanessa da Mata com a canção "As Palavras".






segunda-feira, 29 de outubro de 2012

FLORA E O CAMINHO DO PARAÍSO

Ventava tanto que parecia que a velha árvore largaria suas raízes e sairia voando pelos ares. É bem certo que ela tentou abandonar os vínculos com o solo a fim de se tornar pássaro. Mas a realidade fora mais forte e resolveu mantê-la ali, bem imóvel, estática, apesar dos sacolejos que o vento lhe dava.

Passado o momento e o vento com ele, ficou a velha árvore a pensar na prisão que era ficar presa à terra por causa das amarras que são as raízes. Sem elas, poderia andar como os homens, saltar feito sapos e até mesmo voar como os pássaros que nela pousam buscando descanso entre um voo e outro. Raízes são prisões, definiu ela. Devemos destruir as raízes, pensou, elas não nos deixa encontrar "O Caminho Para o Paraíso".

Passou dias pensando em realizar o desejo e o pensamento. Resolveu por em prática pois, conforme ouvira do Antonio, um filósofo que gostava de sentar debaixo de sua copa, pensar sem praticar é mero idealismo e devemos ir em busca da práxis para que a realidade seja transformada conscientemente. Ouvira também do poeta Agenor que constantemente sentava encostado em seu tronco para escrever que a realização de um desejo valia mais do que mil sonhos. Ele, pensou a velha árvore, estava se referindo ao beijo que dera naquela moça bonita que lhe prometera compartilhar a vida. Tudo bem que o desejo de Flora Tristan- assim chamava-se a velha árvore- não era de compartilhar sua vida com o abacateiro que ela tanto admirava, mas era um desejo legítimo como definira  Jacques Wilhelm, o jovem e inconformado psicanalista que gostava de estudar sentado em um de seus galhos, o mais baixo, pois tinha medo de cair.

Decidida, Flora usou seus galhos como se fossem diversas mãos e foi se arrancando do chão. Ia quebrando suas raízes uma por uma. Doía, é claro, mas ela tinha resolvido seguir o conselho de Antonio e, mesmo com dores e com seiva escorrendo de cada raiz arrancada, ela prosseguiu. Até a última raiz ela sentiu doer, mas foi perseverante como lhe pregara o Alquimista Benjor, um próspero vendedor.

Sem as velhas raízes, Flora resolveu voar. Não conseguiu. Sabia que não era pássaro, e tentou dar um salto bem alto. Também não conseguiu. Pensou que sapo também não era e resolveu caminhar. Sem raízes e sem pés tombou lentamente. Deitada no chão, mas sem raízes para absorver nada, foi se definhando, foi se desmilinguindo, se descolorindo, secando.

Recentemente um vento forte passou por aqui trazendo folhas secas dos galhos de Flora. São folhas secas , mas que voam. Nem sempre seguem a mesma direção, mas voam. As raízes, contou-me uma das folhas, ainda estão lá no velho solo. Contou-me uma outra folha, que são as raízes que ainda tragam do chão mais profundo o desejo de liberdade da velha Flora. E quando elas, as folhas secas, absorvem um pouco da seiva começam também a desejar e se lançam nos ventos que passam de vez em quando, como este que vem lá velho mundo.

 Rio, 29/10/2012  05h
Jorge Willian

___________________________________________________

Sobre Flora:
http://www.nodo50.org/insurgentes/textos/mulher/13floratristan.htm
http://www.isabelvieira.com.br/internas/materias_textomateria.php?id_materia=14

                    

domingo, 14 de outubro de 2012

PERSPECTIVAS

Esta árvore esconde a entrada daquela igreja
Ou sera, para quem vem de lá, 
Lá de trás da igreja,
Que esta árvore é escondida por aquela?
Mas se assim o for,
Para quem vem de lá,
Esta árvore passa a ser aquela
E aquela Igreja passa a ser esta
E quem esconde é escondido
E o escondido passa a esconder.
Perspectivas.
Beautiful Pictures of ChurchesDizem que tudo depende delas.

Jorge Willian

Rio, 20 de junho de 2011 (7 h e 20 m)

sábado, 13 de outubro de 2012

TENHO, MAS NÃO POSSUO

Queria tanto tê-lo e o tenho
O tenho perto, próximo, junto
Mas não o possuo e nem quero
Tenho o teu sorriso, teu jeito
Teu carinho, teu sorriso
Tenho tudo em mim
E tudo perto, próximo, junto
Mas não o possuo e nem me tenho.
O tenho na memória pequenino
E no olhar crescido.
O tenho dentro aqui
mas não o possou  que só és teu.

Jorge Willian

Rio, 13 de outubro de 2002 (1h e 30 min)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

ELA TEME A MORTE

Ela teme a morte
e faz deste temor um porto
e atraca a vida
e esta fugidia escorre
e escorrendo abraça a sorte.

Abraçadas ignoram o medo
e dançam ao seu redor
e mostram o desfecho
e nunca dão a resposta
se distante ou cedo.

Segue, assim, a vida
querida e desejada
afagando sua companheira
de danças e abraços
sua fiel amiga.

Mas ela no porto se mantém
e treme temendo a sorte
querendo o que não tem
e espanta a morte assim
e a vida enfim também.

Rio, 28 de setembro de 2012 (03 h e 31 m).





domingo, 9 de setembro de 2012

ONDE ESTÃO OS DIAS?

Segue um poema e, logo depois, uma bela canção e a letra, que  me lembra o mesmo tema. O Poema é recém-nascido, e a canção é dos mestres Chico Buarque e Edu Lobo.


Onde estão os dias?
Por acaso, o amigo aí parado,
Avistaste os dias?
Sabes para onde eles foram?
E tu, amiga que tanto busca,
Sabes dizer se eles foram juntos
Ou se tomaram rumos distintos?

Onde estão os dias?
Já não os vejo mais.
Sim, é verdade, sei que já não vejo quase nada,
Sei que a noite está sem lua e estrelas,
Sei que as velas acabaram.

Mas onde estão os dias?
Que rumo tomar para encontrá-los?
Será? Não, creio que não!
Eles não se extinguiram e ponto final.
Eles apenas partiram ou se esconderam.

Onde estão os dias?
Estão nas noites?!


Jorge Willian
Rio, 08 de setembro de 2012 23h e 54m.



‎"Se a noite não tem fundo

O mar perde o valor


Opaco é o fim do mundo


Pra qualquer navegador

Que perde o oriente

E entra em espirais

E topa pela frente

Um contingente

Que ele já deixou pra trás


Os soluços dobram tão iguais


Seus rivais, seus irmãos


Seu navio carregado de ideais

Que foram escorrendo feito grãos

As estrelas que não voltam nunca mais

E um oceano pra lavar as mãos"


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O TEMPO QUE ME TRAGA

O tempo que me traga
Me consome e me desfaz
O tempo que eu trago
Me permite, me refaz

O tempo que me traga
Sabedoria ancestrais
O tempo que eu trago
Me conhece muito mais

O tempo que me traga
E persistente ainda me traz
É o tempo que  esmaga
Tudo que move e o que jaz

É o tempo que me trouxe
De tempos longos atrás
E que me guiando soube
Mostrar-me o tempo do jamais.

Jorge Willian
Rio, 28 de abril de 2012

TEMPO

TEMPO
Nunca me abandonou 
esta coisa irmã das horas
Que ficou em mim,
esta coisa de deixar de ser,
de apenas estar sendo 
e de nunca ter sido,
esta coisa
 
do tempo que carrego
e que me carrega,
do tempo de ser sem ser,
do tempo
sendo motor da angústia,
ele seu pai, filho
inimigo e santo,
mas que irmão não pode ser,
que não pode ter sido
e não está sendo,
ele que me trouxe,
que me carrega
me abandonará no caminho, talvez,
sem presente, passado ou futuro
e ela- a angústia-,
 
num abraço forte,
partirá com ele, enfim.

Jorge Willian, 18/08/2012 (05 h e 06 min.)
 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

EU VI UM ANJO

Disseram que morreu o anjo
que andava cambaleando
mas que ele sempre cambaleou
que suas pernas tortas
ao mundo entortou.

Talvez seja verdade e o anjo morreu mesmo
mas disseram que antes ele ludibriou
os meninos de Pau Grande, 
a fome, a fama e as mulheres e os filhos
acho que sim, ele deve ter morrido
Mas antes ele burlou
os joãos brasileiros e suecos, 
computadores soviéticos,
zagalos burocratas,
sovacos de cristo,
vigilância de saldanhas e jornalistas mais
fortunas passageiras e despedidas
infortúnio permanente.

Sim, devo  admitir, posto que devo ser realista, que morreu a alegria
do povo sabemos todos que não se escapa do apito final da morte
mas ele a  driblou antes e passou-lhe entre as pernas 
e ontem eu o vi sorridente bem perto de mim
devia ter uns poucos anos e era ainda pardo

e ziguezagueava e tombava e ludibriava e driblava e burlava
e a zagueira truculenta  corria para acertá-lo na canela
e ele a fitava parado, esperando o momento da botinada fatal
(e juro que fiquei sem respirar temeroso por suas pernas poéticas) 
e a zagueira pulou no carrinho frontal e a vida parou de suspirar  por um instante
e de repente um toque sutil e a bola saltou por cima da  truculenta
e mané garrinchando outra vez a driblou e sorridente pulou também
...
ontem eu o vi e ele passou pela baliza bem próximo de mim
Ele morreu, preciso admitir
Mas está vivo 
está vivo que eu vi...

Rio, 26/07/2012 18h e 43m.


quarta-feira, 18 de julho de 2012

CASACOS

Casaco Sobretudo Masculino (GA06-BEGE)
O casaco que Proust não tirava
mais que sobretudo  era casa
pele, casulo protetor, alma
cheirava o casaco a palavras.
O casaco era Marcel e seu mundo.


O casaco que Marx penhorava
Era o ingresso para a biblioteca
                                 londrina
mais que casaco era classe, distinção
e era leitura, anotações, era pão era
                                    capital        
O casaco era  Karl e o seu mundo.


O casaco que sempre esqueço
enfeita o armário, ocupa nele seu espaço
o frio pouco o faz supérfluo.
Não tem meu cheiro o casaco
Ele não é meu mundo, só objeto sem uso.

Rio, 17/07/02  (10h e 40m)



quinta-feira, 12 de julho de 2012

A NOVA DEMOCRACIA

E o jornal A Nova Democracia chega aos dez anos de existência e em sua nonagésima primeira edição. Seria quase nada se compararmos com três meses de jornais diários da grande imprensa que deixam de nos informar na tentativa de nos formatar. É justamente por isso que este blog recomenda a leitura e divulga  A Nova Democracia. Este é um jornal crítico de esquerda, independente e a serviço da luta dos trabalhadores. Um jornal crítico inclusive dos partidos e governos que se dizem de esquerda. Um jornal radical no sentido fundamental deste termo, pois nos mostra a raiz de nossas mazelas: a exploração, a dominação, o velho Estado e os partidos que defendem a manutenção do capitalismo. Um jornal crítico que nos mostra, por outro lado, a brava luta de nosso povo trabalhador. Um jornal que não se nega a mostrar o seu ponto de vista classista e que defende a Revolução Russa, hoje tão atacada pela tática reacionária da desinformação. É uma defesa importante, embora o jornal devesse ser menos benevolente com os descaminhos que ocorreram na extinta União Soviética ainda mesmo no tempo de Stálin, mas mesmo assim é importante o fato de que  o jornal faz uma justa defesa dos avanços conquistados pelo povo russo atacado não só pelo nazismo de Hitler, mas também atacado desde o primeiro dia até hoje pelo ditos democratas liberais em defesa da propriedade privada do capital que usaram em seus ataques a força bélica de seus exércitos e ainda usam a força ideológica de sua imprensa privada. 

O Nova Democracia é um alento nesses tempos em que a imprensa  diz amém para tudo que venha  das classes dominantes e/ou em defesa do capital. Pena que o jornal seja mensal, ou melhor, a partir de agora passa a ser quinzenal. É uma bela notícia descobrir que seus editores conseguiram transformar o Nova Democracia de semanal em quinzenal. Mas ainda é pouco, quem sabe em breve o teremos semanalmente e saberemos com mais rapidez aquilo que a velha imprensa nos nega. Saberemos das greves, dos assassinatos de lideranças, do despejos de comunidades em nome do progresso para poucos, saberemos dos artistas que nascem na raiz de nosso  povo, das lutas das nações indígenas e do aprisionamento de seus líderes, da luta pela terra de nossos camponeses acampados e de suas lideranças mortas em emboscadas, das ocupações que nosso Estado fascista tem feito nas favelas, das traições de políticos e partidos que buscam o voto popular e que depois governam e votam contra os direitos trabalhistas e outras coisas importantes que são noticiadas nas páginas do combatente jornal. Salve o Nova Democracia!

http://www.anovademocracia.com.br/


domingo, 8 de julho de 2012

A BRUXA

                        "Vamos passear no bosque/ enquanto seu lobo não vem."

Façamos silêncio, ela dorme!
Se a despertarmos ficará brava,
Ai de nós se isto ocorre,
Não quero nem ver!

Cuidado, ela está se mexendo.
Talvez já tenha despertado
E finja dormir tranquilamente 
E, de repente, nos assustará.

Fale baixo, deve estar nos observando.
E se ela levantar fuja rápido
E avise a todos
Que bruxa vai atacar outra vez.

Corre, ela está de pé e bem pertinho
E vai nos pegar brincando
Corre muito, corre
Que lá vem a bruxa do 1964



sábado, 7 de julho de 2012

SUBSTANTIVOS TROCADOS (DETENTORES DO CAPITAL)

Uma das táticas da dominação cultural de uma classe é modificar o substantivo que  nomeia os indivíduos que dela fazem parte. Hoje os donos do capital, por exemplo, já não querem ser burgueses e tentam não serem mais reconhecidos pelo grande público como capitalistas (sem abrir mão do capital, é claro!) e tentam nos confundir com termos como empresários e empreendedores, trabalhadores que administram seus capitais... Assim, neste esconde-esconde de nomenclaturas, tentam mostrar que não tem nenhuma ligação histórica com os livros didáticos  que ainda só falam em (formação da) burguesia e (guerras) capitalistas e nada falam sobre empresários. Mas substantivos trocados não desfazem a substância. Empresariado, burguesia, classe capitalista ainda são sinônimos de detentores do capital. Alguns são grandes detentores e outros nem tanto, mas tem em comum as defesas políticas do interesse em manter o mundo da mesma forma, mantê-lo sob seu controle. Não importa o substantivos e nem mesmo os adjetivos que qualifiquem as substâncias (capital, capitalismo, proprietários, trabalhadores). O que importa é manter as mesmas relações entre elas e seus resultados: acumulação e dominação. Importa que estas permaneçam, mesmo percebendo mudanças que vão além de meros substantivos e necessidades sociais e ecológicas novas.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

SANTÍSSIMA

Gritam democracia
chamam quem nos policia
clamam liberdades
constroem muros e grades
globalizam fronteiras
dizimam nações inteiras
privatizam o coletivo
pacificam o ativo
comungam isolamentos
quebram e colam fragmentos
sacralizam o mundano
mundializam o engano
secularizam o sagrado
divinizam o mercado
profanam o que acreditam
acreditam no Estado
mercantilizam  expressões
vendem sonhos, ilusões,
desejos, amores, flores
almas, imagens, poesia
silenciam outras opiniões
invocam a democracia
convocam ditadores
santificada burguesia
que nos amassa o pão de cada dia.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

PALAVRAS

PALAVRAS
nos usam 
as palavras
usamos 
as palavras  
nos expressam 
as palavras
expressamos as palavras 
nos conduzem 
as palavras
rumos e rumores
as conduzimos
as palavras
as desnorteamos
vagueiam em nós
palavras 
nos preenchem 
as preenchemos
as esvaziamos
nos vazios nossos
são nós as palavras
amarramos as palavras
nos amarram
as palavras
nos amarramos às palavras
somos nós palavras
palavras são eu, tu, ele, nós
amamos as palavras
nos amam palavras
amores são palavras
palavras são amores
humores
são carnes as palavras
são almas
nossas palavras
nossas almas
palavras

quinta-feira, 7 de junho de 2012

POÉTICA

em mim dialoga o mundo
muitas vozes me falam
filtro e reflito  
e relanço no mundo
meus gritos, meus sussurros

Jorge Willian

Rio, 07 de junho de 2012 (03h)

sábado, 2 de junho de 2012

CASÓRIO À MODA ANTIGA

Ela deu de ombros.
Não sei, ela disse,
Amor e paixão
Não entendo essas tolices.

Ela deu de ombros.
Uma pura meninice,
Apenas expressão
De quem nega a mesmice.

Ela não gosta de assombros
Nem de outras crendices:
Flechinha e coração
São meras idiotices.

Ela não gosta de assombros.
Quem quiser que acredite:
Casa na próxima estação,
Data e pombinhos  no convite.

Grinalda sobre os ombros
E outras esquisitices
De quem aposta na união
Silenciando o disse-me-disse

quarta-feira, 30 de maio de 2012

TRÊS VÍRGULA QUATORZE

     (para a amiga três vírgula quatorze, Gabriela)
de repente,
não mais que de repente somos um pi,
um universo,
um buraco negro,
um infinito
infinito e eterno pulsar,
de repente eis o que somos
e não mais que de repente.

sábado, 26 de maio de 2012

POLISSEMIAS

corrente
é corrente para quem sabe
que correntes prendem neste lugar
mas que correntes nos levam para outros

ser
ser quem sou substância
ser o que preciso ser
ser verbo que me liga a mim

terra
terra em rotação e translação
terra que semeio casas
terra sonho de peão

semente
semente que na terra arboriza
semente que sêmen te ofertei
semente em  ventre fértil seguirei

vida
vida minha indo para o nada
vida tua que nasce agora
vida nasce vida morte

ciência
ciência que se faz conhecimento
ciência discurso de poder
ciência ciente de quê?

Jorge Willian
Rio, 26/05/ 12 05h e 40m

terça-feira, 1 de maio de 2012

BERTOLD BRECHT, A ARTE NECESSÁRIA.

Abaixo apresento cinco pequenos vídeos feitos com parte da obra do dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht. Sua arte tinha endereço certo: a consciência, principalmente a dos trabalhadores, a dos oprimidos pelo mundo capitalista. Brecht influenciou a arte no mundo todo, e no Brasil podemos lembrar do Teatro do Oprimido, do nosso Augusto Boal, que criou jogos e técnicas teatrais tentando também conscientizar o  público, levando este a participar ativamente do andamento de suas peças e não apenas assistir. Neste primeiro de maio, dia do trabalhador, retomar Brecht é mais do que uma homenagem, é lembrar que a boa arte pode ser politizada e popular e não apenas um diálogo entre os mesmos. A arte pela arte, pelo prazer simplesmente, é uma possibilidade... a de Brecht e a de Boal são necessidades.

                          

segunda-feira, 30 de abril de 2012

EVA

Venta e chove lá fora
e  uma flor deixa o galho
planando viaja no vento
viaja no tempo
viaja.
E vai a bela flor majestosa
suas cores no vento 
no tempo
no meu olhar.
E vai perfumada flor
seu aroma vai no vento
vai no tempo
e ainda fica.
Fica o aroma no galho
nas folhas
na raiz
na terra
em mim.
Vive a flor
no tempo, no vento
em mim
em nós.

Jorge Willian     Rio, 30/ 04/12 (0h e 1m)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

CONTROVERSOS

Já viveram dias como aqueles, disseram,
mas nunca iguais, advertiram,
como então pensar a igualdade
do que não é em si mesmo? perguntaram
debateram horas, dias, meses, séculos
e os dias continuam a passar
como aqueles dias,
mas nunca iguais
como?

JWCL,   Rio, 20 de abril de 2012 (2h e 45m)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

CHUVA

Chuva miúda lá fora refrescando dentro
Suave caindo sobre as folhas negras da noite
Chuva boa, carícia na pele quente
Suave como o tempo lento
Este que não corre,
Esta que cai e quer ser riacho
Indo em busca de buraco no chão.
Pequena chuva esta, mais que garoa
Chuva mansa, menos que temporal.
E lavando a terra e seus corpos
Pensamentos turvos lavados também
Chuva doida e doída também.
Chuva  sem receios
A chuva chove, amiga minha.

Jorge Willian

Rio 16 de abril de 2012  (03 h e 18 m).

DESENCONTROS

O tempo não passava, o relógio obsequioso não tictaqueava
Era um silêncio  tão profundo que tudo cobria e aquecia.
Nada, nem se quer o pensamento, produzia sons ou se mexia
No silêncio concentrava-se todas as energias.
Parecia, pois, que a morte havia se instalado naquele espaço
E os demais corpos ali também permaneciam inertes.
Tudo encontrava-se.


Fez-se um estrondo de repente e tudo correu para longe
Queria tudo, talvez, repetir o big-bang inicial do movimento.
E os corpos, enfim,  partiram em posições opostas em tempos incomuns
Tudo, até mesmo o pensamento,   não recordava mais do tempo sem  tempo
E a vida fingia instalar-se naqueles corpos e espaços.                             
Tudo era movimento, muitos tic-tacs, ponteiros alucinados                     
Energias desconcentradas em rumos desconhecidos. 
Solidão.


Jorge Willian 
Rio 16 de abril de 2012 (01 h e 45 m)