e não encontrar
um rosto estranho se quer
a melancolia que a alma sente
é o presente que agora ganho
Há quem fale de ideias fora do lugar
e realmente há
mas tenho um corpo adulto
que aqui não deveria estar
uma vida fora do lugar
um insulto.
Caminhando por entre essas pessoas
caminho triste, estrangeiro que sou
poeta, não como Pessoa
me é impossível imprimir
a solidão que aqui pousou
E posso afirmar que não sou fingidor
não finjo nem exagero a dor que agora sinto
melancolia e solidão, não minto
é tudo humanamente real
embora sendo personagem de um ator
Rio, 25 de Maio de 1998
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(FERNANDO PESSOA)
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
27/11/1930
Imagem: http://www.google.com.br/imgres?imgrefurl=http%3A%2F%2Flounge.obviousmag.org%2Frisco%2F2012%2F06%2Ffernando-pessoa-um-bobo-apaixonado.html&tbnid=7r_JE9qfgcR99M:&docid=bYc0Mg-e4-K0yM&h=287&w=206
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